Você tem observado o TED Spread?

Uma imagem vale por mil palavras e isso certamente ressoa com o colapso econômico global do último ano. Um sinal de perigo da economia é o TED Spread. Essa métrica é um indicador de risco de crédito visível na economia. O TED Spread acompanha a diferença entre as taxas de juros dos empréstimos interbancários e os títulos do tesouro norte-americano (T-Bills) de curto prazo (dívida pública). A diferença é medida em pontos-base (bps). Diferentemente das recessões econômicas do passado, esse spread disparou em todo o mundo, em vez de limitar-se a países específicos. As médias históricas eram geralmente inferiores a 50 bps. Assim, quando o TED Spread ultrapassou 450 bps no segundo semestre de 2008, os acontecimentos nos mercados de ações mundiais não causaram surpresa. Clique aqui para ver uma cotação do TED Spread da Bloomberg.

Ainda que o TED Spread tenha caído na primeira parte de 2009, indubitavelmente é preciso que haja outro fechamento do spread para voltarmos às médias históricas. Na minha opinião, isso só acontecerá quando o fluxo de crédito estiver novamente normal. Foram transmitidas as mais variadas mensagens sobre as novas concessões de empréstimos bancários (mas para quem???) e sobre a capacidade de atribuir valor a ativos tóxicos que os bancos ainda retêm. Até que esses dois itens sejam resolvidos, a única solução comum para ambos é atrair investidores privados.

A confiança dos investidores privados e dos consumidores nunca esteve tão baixaOs pacotes de incentivos e os empréstimos dos governos do mundo todo influenciam as decisões sobre onde e em quê investir. Para onde foram todos aqueles dispostos a correr riscos? Certamente não tenho coragem para fazer operações de hedge no ambiente financeiro atual. Até mesmo os governos recuaram para comprar dívida segura para investimentos. Portanto, quem pode culpar os investidores privados de adotarem uma estratégia “faça você primeiro, que depois seguirei”.

Os acontecimentos ficaram bastante assustadores em outubro do ano passado quando o TED Spread chegou ao seu ponto máximo, com o descalabro de um fundo do mercado de capital, a corrida dos consumidores aos bancos e a evaporação da capitalização de muitas instituições financeiras. Podia-se literalmente ouvir o valor sendo sugado do mercado e batendo em retirada para ativos líquidos. Para onde foram todos? É como se tivéssemos balões cheios numa sala fechada e, de repente, todos ficassem vazios… mas ainda houvesse a mesma quantidade de ar na sala. Simplesmente não conseguimos encontrar ar para encher os balões novamente. Relatórios indicaram que os bancos mundiais amortizaram aproximadamente 900 bilhões de dólares norte-americanos dos ativos tóxicos, mas ainda há cerca de 3,1 bilhões de dólares em atividade no sistema. O TED Spread estará em alerta…

É aqui que a confiança do consumidor desempenha um papel fundamental.

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