8 anos, e a contagem continua…

Outro ano e outro marco na minha batalha contra o câncer. Oito anos sem
câncer. É como se eu tivesse dois aniversários: 14 de setembro, quando
vim ao mundo, e 1º de agosto, quando me deram a oportunidade de lutar
mais oito anos. O odômetro da minha vida se aproxima dos 49 e parece
que foi ontem que notei minha “luz de verificação do motor” piscando.
Há pouco tempo recebi minha dose (agora anual) de agulhadas, raios X e
pouco agradáveis sessões de tomografia computadorizada. Ainda que o meu urologista tenha ajustado a luz do motor para mais um ano, é sempre sensato submeter-se a um serviço de manutenção de saúde
geral. Não é que eu queira receber mais picadas de agulha do que venho
recebendo desde o meu segundo aniversário, simplesmente me aplicaram
uma injeção de cortisona no ombro esquerdo para aliviar a artrite e a
rigidez. O alívio da dor foi instantâneo, mas fiquei espantado quando
vi uma seringa que mais parecia uma tubulação.

Lá se foi mais um ano e algumas pessoas perderam a batalha. Ainda
é duro pra mim ouvir falar de pessoas da minha comunidade local que não
tiveram um 2° aniversário como eu. O que mais me entristece é ter
notícias de crianças que perderam a batalha contra o câncer. Embora
eu tenha tido a oportunidade de me tornar adulto, nenhuma criança
merece ter sua curta vida encerrada de forma prematura em decorrência
de uma doença. O fato de ter sobrevivido a crianças que não conseguiram
vencer a luta contra o câncer ainda provoca em mim um certo sentimento
de culpa. Saber que sou um guerreiro me traz um certo consolo. Acima de
tudo, me traz um certo alívio falar sobre a doença e promover a detecção precoce
por meio da educação. Faça um check-up anual, seja qual for a sua
situação atual. Sou uma prova viva. Não somos diferentes de um
automóvel no que se refere à manutenção e à prevenção. Continuar
dirigindo com a luz de verificação do motor acesa é não querer ver a
realidade e pode custar caro, tanto para o automóvel quanto para você
mesmo.

Admiro Lance Armstrong por sua luta contra o câncer. Ele me serviu de inspiração e me ajuda a enfrentar minha própria doença. Farah Fawcett demonstrou ser uma mulher extraordinária no documentário sobre sua própria batalha contra o câncer, que acabou perdendo. Patrick Swayze demonstra uma imensa coragem em sua luta contra essa doença. Com a inspiração desses tipos de pessoas (Randy Pausch, entre elas), não posso deixar de lutar por todos aqueles que perderam suas batalhas.

Continuarei lutando por vocês, a cada segundo aniversário...

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